O título deste post pode ser informal, e até mesmo "não acadêmico", dependendo do ponto de vista, ou até irônico. No entanto, este título traduz perfeitamente a situação atual no que diz respeito a participação em eventos científicos, dos estudantes de Ciências Sociais, assim como dos alunos em geral da instituição de ensino UERN.
Atualmente, a UERN passa por um "corte" gigante no orçamento, que, aliás, se reduz quase exclusivamente a pagamento de folha de empregados, este corte vem sendo visto também em âmbito nacional das universidades, no entanto, essa problemática financeira da UERN é antiga, e parece insolúvel até o momento - me perdoem os otimistas. Não se consegue ajuda de custo para se ir a eventos, como apresentador de trabalho, não se consegue um transporte para ir a eventos científicos fora de Mossoró e, principalmente fora do estado note-riograndense.
Ano passado, o PETCIS não consiguiu ir ao INTERPET (Encontro dos PETs do RN) na UFRN por não termos conseguido ajuda de custo/transporte de forma nenhuma da IES a qual somos vinculados. Alguns podem dizer, "vocês petianos ganham uma bolsa mensal para gastos com a faculdade", sim, recebemos, mas esse valor - bem-vindo - é insuficiente para suprir necessidades estudantis, alguns moram em Mossoró tendo essa bolsa como principal receita, outros se abalam de outra cidade, pagando ônibus, fora os outros gastos, então, não é possível dispormos totalmente dessa bolsa para irmos a eventos científicos em outras instituições fora do círculo do país de Mossoró.
Vem sendo assim na UERN, não conseguimos ajuda de custo para publicar trabalho, não conseguimos transporte para ir a eventos fora da cidade, antes, corte no orçamento, e agora mais cortes ainda.
Hoje, vemos enfrentando outra missão (de muitas do dia-a-dia), digna dos filmes da série Star Wars, e pelo visto estamos sendo vencidos por Darth Vader, pois não há ajuda de custo para a vida acadêmica fora/na UERN. Não há um RU (Restaurante Universitário) na UERN, há um restaurante que poderíamos classificar perfeitamente de "burguês" (com o perdão da palavra que veio virando um palavrão), pois o quilo da refeição custa 16 reais (salvo engano quanto a centavos); não há estrutura para vivermos na universidade durante o dia todo, não há locais de socialização, até os banheiros (boa parte) são trancados a tarde, pois poucas aulas de cursos funcionam a tarde. A biblioteca, nem se fala de pequena, tem professores no nosso curso que têm um acervo maior das Ciências Sociais. Sem falar do transporte público, isso sim é um descaso, uma vergonha pública. O transporte municipal que há em Mossoró é simplesmente de entrega, eles (pouquíssimos) vem entregar os alunos às 7hs da manhã e volta pra buscar as 10h20min, do mesmo jeito a noite, além de uma vez vir a tarde na UERN às 13hs e voltar. Muitas promessas eleitoreiras foram feitas, mas nenhuma cumprida. Cadê uma frota de ônibus regular entrando dentro do Costa e Silva e saindo pro resto da cidade? Cadê um circular pra UERN/UFERSA?
Sinceramente, é uma surpresa ainda estarmos "ativos" aqui.
Temos professores excelentes? Temos, sim. Temos alunos interessados e esforçados? Temos, sim. Assim como também temos os avessas como em toda IES. Temos produção acadêmica? Temos, poucas, mas temos. O que falta? Muita coisa: mobilização estudantil para conseguirmos melhorias, maior investimento do governo do Estado, maior vivência acadêmica dos alunos, e assim como de alguns professores. Otimização do tempo no curso, colocando-o para também no turno matutino.
O ERECS (Encontro Regional de Estudantes de Ciencias Sociais) acontecerá no período de 21 à 23/04 em Caruaru/PE, e não conseguimos ajuda da UERN, para o transporte. Incluído aí, alguns problemas, primeiro, muitos alunos desinteressados, segundo, não há "nenhuma" ajuda da UERN, nem de custo, nem de transporte, quer dizer, a instituição até oferece o ônibus e o motorista para guiá-lo (isso se requisitado com muita antecedência, e clamando aos céus), desde que nos responsabilizemos inteiramente (por escrito, aliás) em suprir a gasolina gasta, a(s) diária(s) do(s) motorista(s), e, principalmente, qualquer eventual dano no veículo. :S
E aí, como se vai a eventos científicos fora de Mossoró? Por conta própria? Como se vive a academia na UERN? Eu responderia, com muito esforço e dedicação, como um estudante de ensino básico que se esforça para aprender a ler numa escola de chão batido, precisando se locomover a pé a quilômetros de distância.
Não estou denegrindo a UERN, muito pelo contrário, estou problematizando questões supramente necessárias na UERN. É uma boa universidade, há muitos professores e alunos bons, excelentes mesmo, mas caminhamos como de muleta.
Nos cobram publicações, que sejamos ativos em eventos, ótimo, gostaria muito de ir a todos que existissem no Brasil e até mesmo no exterior ou se tivesse fora da terra se pudéssemos iríamos também, mas deixando a ironia de fora, a realidade da nossa universidade é outra, ainda mais que não viemos recebendo o custeio/ajuda de custo que a SESu deveria ter nos enviados (nenhum PET da UERN recebeu), que é destinado a atividades do programa, gastos de escritório etc. Nem viemos recebendo a contra-partida da universidade, a não ser a Sala e a energia que é gasta nela, até porque os computadores foram pro conserto e voltaram quebrados.
E agora, José?
Se você puder responder...

2 comentários:
Meu nome não é José, mas vou responder... Risos.
Estava era inspirado, hein bolsista Cleiton?
Apoiado!
Apoiado Cleiton, vc tornou-se agora o Lucas Skywalker? Desejo que vc e os colegas vençam os Dart Vaders institucionais. Espero também que encontremos todos um Ioda para nos aconselhar.
Acho que, em muitos casos os alunos da UERN deviam receber uma medalha por insistirem. Mas a vida acadêmica é assim mesmo, muita luta e poucas recompensas... se é isso que se busca. O que levamos dela não é glória, nem louros, mas sim realização pessoal em se fazer algo que se gosta, mesmo com muitas contrariedades no caminho.
Só para salientar, o que mantêm os professores também com a cabeça ainda fora d'água são os pouquíssimos alunos que ainda se interessam.
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